Família de Feliz celebra construção de primeira nascente protegida do município
03/12/2024 às 13:28
“Com mais água tu produz mais, tem mais renda e mais qualidade de vida”. A frase dita pelo jovem agricultor Yuri de Bairros Gaier, do município de Feliz, resume a alegria da família que, na última semana, celebrou a construção da primeira nascente protegida do município. Proprietário, ao lado dos pais Admar e Eni, da Agroindústria Terra e Vida, o produtor utilizará a água, que agora verte em abundância e qualidade, na irrigação de cultivos diversos, como, morangos, batata doce, pepino, berinjela, abobrinha, couve-flor, brócolis e outras olerícolas.
“A gente vem de uma sequência de três anos de seca muito severa, que culminaram nesse ano excessivamente chuvoso”, pontua Admar. Para os Gaier, o ato de “guardar” a água – eles já investiram em uma caixa de 20 mil litros -, servirá justamente para compensar os tempos de estiagem. “Ainda mais para cultivos de grande exigência hídrica”, salienta Yuri, que se formou em nutrição e que utiliza seus conhecimentos para a elaboração de receitas de pizzas, pães, cucas e geleias, que são comercializados na agroindústria e também por meio de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
A fonte protegida de Feliz integra um amplo trabalho desenvolvido pela Emater/RS-Ascar e pela Sicredi Pioneira, que prevê a construção de 66 sistemas em onze municípios – seis na Serra Gaúcha e cinco no Vale do Caí. A ação é parte do Projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) na Conservação de Nascentes, que iniciou em 2022 e que beneficiará dezenas de produtores. “A ideia é garantir a manutenção dos recursos hídricos por meio da implantação de sistemas de captação de água e restauração de Áreas de Preservação Permanentes (APPs)”, destaca o extensionista da Emater/RS-Ascar Marcelo Brandoli.
Como parte das etapas está desde a identificação das nascentes, passando pela limpeza do local e pela estruturação da base, até chegar à construção da estrutura física de proteção, com instalação do filtro de captação, do estravasor e dos drenos de fundo. A partir de então é possível preencher a estrutura com o sistema de filtragem, higienizar, colocar a cobertura e ligar a água. “A intenção com esse projeto piloto é a de que ele possa funcionar como um multiplicador para outras intervenções semelhantes”, analisa Brandoli, que cita o apoio das prefeituras no processo.
A ação tem amparo legal do Novo Código Florestal e as resoluções do Consema, que consideram esta uma construção de baixo impacto, que ocorre com dispensa de outorga do uso da água – o que envolve também o plantio de mudas nativas de frutíferas no entorno. A Sicredi Pioneira custeia 70% do projeto, com os agricultores fornecendo os outros 30% e a mão de obra. “É uma forma de garantir a qualidade do recurso, com menos risco de contaminação e de forma harmônica na simbiose entre homem e natureza”, avalia a vice-presidente do Conselho de Adminstração da Sicredi Pioneira Heloísa Helena Lopes.
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Lajeado | Jornalista Tiago Bald