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Fonte protegida da família Vargas é inaugurada em São Sebastião do Caí

Fonte protegida da família Vargas é inaugurada em São Sebastião do Caí

23/12/2024 às 13:36

“A água é a base de tudo. Tendo água pra produzir, o resto certamente flui.” A frase dita pela agricultora Andréia Vargas, de São Sebastião do Caí, durante a inauguração oficial do sistema que protegerá a nascente localizada na propriedade da família, resumiu o sentimento dos participantes do ato. “Para nós certamente é um marco ter uma fonte que nos ajudará a reservar a água, mantendo-a limpa e apta para os mais diversos usos, sem comprometer o meio ambiente”, comentou durante a pequena cerimônia realizada na sexta-feira (20/12), que reuniu autoridades, representantes de entidades parceiras e extensionistas da Emater/RS-Ascar.

 

Moradora da localidade de Pareci Velho, Andréia é a filha do meio do casal de aposentados Almerinda e Américo. “Meu pai sempre trabalhou na agricultura mas, com 73 anos, algumas atividades se tornam mais pesadas”, comenta. Na lida diária, os três se ocupam com plantação de lavoura de milho e cana e com cultivos de aipim e de roseiras – este último uma espécie de hobby de seu Américo, que comercializa mudas para viveiristas da região. “Apesar de nunca termos sofrido com a estiagem, por mais severa que ela fosse, esse é um passo importante para a garantia do recurso em abundância durante o ano todo”, analisa Andréia.

 

A produtora explica que nos períodos de seca mais severa, a família alternava o uso de água entre dois poços artesianos. “Houve um momento em que foi necessário poupar na hora de lavar roupa, ou em alguma outra atividade de rotina”, lembra. Com a fonte protegida – a primeira instalada no município -, o fornecimento será praticamente ininterrupto, já que a nascente quase 3 mil litros do recurso ao dia. “Tanto que a minha ideia é fazer um segundo investimento, este em uma estufa para o cultivo de alimentos orgânicos” projeta Andréia.

 

A fonte protegida de São Sebastião do Caí integra um amplo trabalho desenvolvido pela Emater/RS-Ascar e pela Sicredi Serrana, que prevê a construção de 138 sistemas em vinte e três municípios – cinco na Serra Gaúcha e seis no Vale do Caí. A ação é parte do Projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) na Conservação de Nascentes, que iniciou em 2022 e que beneficiará dezenas de produtores. “A ideia é garantir a manutenção dos recursos hídricos por meio da implantação de sistemas de captação de água e restauração de Áreas de Preservação Permanente”, explica o extensionista da Emater/RS-Ascar Marcelo Brandoli.

 

Como parte das etapas está desde a identificação das nascentes, passando pela limpeza do local e pela estruturação da base, até chegar à construção da estrutura física de proteção, com instalação do filtro de captação, do estravasador e dos drenos. A partir de então é possível preencher a estrutura com o sistema de filtragem, higienizar, colocar a cobertura e ligar a água. “A intenção com esse projeto piloto é de que ele possa funcionar como um propagador para outras intervenções semelhantes”, analisa Brandoli, que cita o apoio das prefeituras no processo, para um investimento acessível, que não ultrapassa muito mais do que R$ 500 por família.

 

No caso da família Vargas, futuramente o espaço – que tem potencial turístico, dadas as belezas naturais -, deverá receber visitantes, outras famílias de produtores, escolares e demais interessados, na intenção de conhecer o projeto e as vantagens proporcionadas por ele.

 

“Muitas vezes percebemos que há certa desconfiança e alguma incerteza quando o tema é o meio ambiente”, observa o extensionista da Emater/RS-Ascar Gelcy Baumgarten, que lembra que a ação tem amparo legal do Novo Código Florestal e de resoluções do Consema, que consideram a construção de baixo impacto, que ocorre com dispensa de outorga de água – o que envolve também o plantio de mudas nativas no entorno.

 

Além de São Sebastião do Caí, participam do projeto os municípios de Bom Princípio, Tupandi, São Pedro da Serra, São Vendelino e Barão – as demais inaugurações já ocorreram, nos dois últimos meses.

 

A Sicredi Serrana custeia 70% do valor, com os produtores fornecendo os outros 30% e a mão de obra. “Esse é um trabalho que evidencia a união de esforços, com um enfoque ambiental, com vistas a proteger a água, já que sem ela não há produção”, lembrou o supervisor da Emater/RS-Ascar Fábio Encarnação.

 

Outras lideranças, como o prefeito eleito João Marcos Guará, o vice Mozar Hoff e a gerente da Sicredi Serrana Cladi Chemin, além de secretários, representantes do Sindicato Rural e outros prestigiaram o ato.

 

Informações: Jornalista Tiago Bald | Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Lajeado

 

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