11 de Janeiro: Dia do controle da poluição por agrotóxicos
11/01/2023 às 09:51
Na manhã desta quarta-feira, 11 de janeiro, a Engenheira Agrônoma da Emater de Bom Princípio, Anna Cristina Xavier, esteve nos estúdios da Vale Feliz falando sobre o dia do controle da poluição por agrotóxicos.
Historiadores apontam que foi somente após o surgimento da agricultura, há 12 mil anos atrás, que as sociedades começaram a se desenvolver. E desde então, tem sido assim: a agricultura e a vida humana vêm se desenvolvendo conjuntamente, de maneira que uma depende da outra. A “arte” de plantar e produzir alimentos vai se adaptando às mudanças da própria sociedade
Dentro dessas mudanças, desde metade do século passado as tecnologias e pacotes tecnológicos utilizados na agricultura se baseiam em agrotóxicos e de adubos sintéticos, sobre a justificativa de buscar maiores produtividades para aumentar a produção de alimentos. Contudo, ainda em 1962, a Rachel Carson, apresentava em seu livro “Primavera Silenciosa” os perigos da contaminação dos agrotóxicos para os seres humanos e para o meio ambiente. O uso indiscriminado de agrotóxicos pode contaminar e poluir o solo, chegando aos lençóis freáticos, que abastecem nossos cursos d’água. Hoje, sabemos que a contaminação do meio ambiente também pode chegar aos seres humanos, já que algumas espécies não morrem pelo contato com agrotóxicos, mas o acumulam no corpo, e estes são passados através da cadeia alimentar. Ou seja, se um rio ou açude for contaminado com agrotóxicos, os peixes que estão lá acumularão as moléculas no seu corpo e ao serem consumidos por um humano poderão contaminar também quem os consumiu, e é por isso que existem regras importantes a serem seguidas para a utilização, armazenamento e descarte desses produtos.
O tema dos agra que, no Brasil, temos o dia 11 de janeiro como o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos, um dia dedicado à conscientização sobre o risco que a utilização indiscriminada ou equivocada que essas substâncias podem oferecer à saúde e ao meio ambiente. Essa foi a data escolhida pois no dia 11 de janeiro de 1990 foi assinado o Decreto 98.816, o primeiro decreto que estabeleceu regras para o uso de agrotóxicos em nosso país.
Os agrotóxicos tem um único objetivo: controlar pragas ou doenças que podem ocasionar danos econômicos às culturas agrícolas. E o primeiro passo para evitar a poluição é saber exatamente qual agrotóxico usar e em que momento usar, por isso o monitoramento das pragas e doenças que ocorrem nas lavouras é fundamental. O monitoramento indica a presença ou não da praga ou doença, e com isso o agricultor consegue tomar uma decisão racional sobre a necessidade de utilizar agrotóxico, qual utilizar e qual o momento certo. O monitoramento, além de garantir menor risco de poluição, garante uma economia ao bolso agricultor, pois ele não usará nada sem necessidade.
A utilização de agrotóxicos deve ser segura para o aplicador e respeitar uma série de padrões que são definidos na bula e orientado por quem assina sua recomendação. Para garantir um baixo índice de poluição, o agricultor precisa ter claras algumas informações, como a dosagem a ser utilizada, o intervalo de segurança, como se fazer a tríplice lavagem e o descarte dessas embalagens. Outros conhecimentos de tecnologia de aplicação também são importantes para garantir a eficiência do agrotóxico com as doses recomendadas, como questões relativas à qualidade de água, a escolha do bico de pulverização, o tamanho de gota e as condições climáticas para pulverização.
Campanha digital da Câmara de Olericultura
A Câmara de Olericultura do Vale do Caí fez uma campanha digital chamada “Produzindo Alimento Seguro” com 40 vídeos técnicos de curta duração que falam sobre como produzir alimentos de forma segura. Os vídeos estão disponíveis no site da campanha, que pode ser acessado AQUI.
Hoje, muitos agricultores já não enxergam nos agrotóxicos sua única alternativa para o controle de pragas. Nos últimos anos, tem crescido fortemente a ideia de um Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD), que podem ser ações que criem um ambiente desconfortável para as pragas chave, aumentando a umidade ou diminuindo a adubação nitrogenada, por exemplo. Também estão incluídos nesse manejo a utilização dos chamados inimigos naturais, que são fungos, bactérias, ácaros e insetos que controlam as pragas. Por fim, o MIPD preconiza um ambiente onde há diminuição ou eliminação do uso de agrotóxicos.
Por fim, neste dia 11 é importante que cada agricultor pense em uma pequena (ou grande) atitude que pode estar fazendo em sua propriedade para diminuir a poluição por agrotóxicos, pois a final, é a própria embalagem dos agrotóxicos que diz: ‘CUIDADO VENENO’, e esta é uma lembrança para que sempre utilizemos os mesmos de forma segura, diminuindo seus impactos para quem aplica, quem consome e para o próprio meio ambiente.
Assista a entrevista CLICANDO AQUI
Texto: Anna Cristina Xavier / Engenheira Agrônoma da EMATER/RS de Bom Princípio
Arthur Poersch | Rádio Vale Feliz