|
Presidente da Colômbia critica fala de Lula sobre crise com a Venezuela
30/07/2010
Brasileiro disse que conflito é caso de "assuntos pessoais" e irritou país vizinho
O governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse nesta quinta-feira (29) que "deplora" o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se referido à crise com a Venezuela como "um caso de assuntos pessoais" e ter ignorado a "ameaça" que representa a presença de guerrilheiros no país.
Uribe "deplora" que Lula, "com quem cultivamos as melhores relações, tenha se referido a nossa situação com a República Bolivariana da Venezuela como se fosse um caso de assuntos pessoais", afirma um breve comunicado da Presidência.
O texto acrescenta que o Brasil ignora assim a "ameaça que a presença dos terroristas das Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] representa para a Colômbia e o continente" na Venezuela.
Ressalta ainda que Lula "desconhece" os esforços do governo de Uribe para buscar soluções através do diálogo com seu país vizinho.
"Repetimos com todo respeito ao presidente Lula e ao governo do Brasil que a única solução que a Colômbia aceita é que não se permita a presença dos terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e do Exército de Libertação Nacional [ELN] em território venezuelano", conclui o comunicado.
O pronunciamento de Uribe é uma resposta aos comentários feitos nesta quarta-feira por Lula, que disse que, na sua opinião, "não há conflito" além do "verbal" na crise entre os dois países.
Lula defendeu também que é necessário ter paciência e calma até o dia 7 de agosto, quando Uribe entregará o cargo ao seu sucessor, Juan Manuel Santos.
O pronunciamento do governo de Uribe também acontece horas antes do começo da cúpula de chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul) em Quito. A reunião foi convocada para tratar da crise entre Colômbia e Venezuela.
A cúpula, convocada pelo Equador, que preside temporariamente a Unasul, pretende analisar a crise gerada por causa das denúncias do governo de Uribe sobre a suposta presença de chefes guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela.
Essas denúncias levaram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a romper há uma semana as relações com a Colômbia, que já estavam congeladas há um ano.
O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que apresentará hoje perante a Unasul uma proposta de paz para a Colômbia, enquanto o governo de Uribe exporá seu próprio plano, baseado na desmobilização dos guerrilheiros supostamente estabelecidos no país vizinho.
(R7)
|