Pesquisador desenvolve mosquito transgênico para combater a dengue
09/03/2010
O pesquisador brasileiro Osvaldo Marinotti está
desenvolvendo na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, um mosquito
geneticamente modificado que pode ser usado para reduzir a proliferação do
Aedes aegypti, transmissor da dengue.
O mosquito que está sendo desenvolvido produz uma toxina no código genético que
atrapalha a formação das fêmeas, deixando-as com as asas atrofiadas e incapazes
de sobreviver. As fêmeas do inseto são responsáveis por picar e transmitir a
doença, além de carregar os ovos. A ideia é que os ovos com esses mosquitos
transgênicos sejam colocados na natureza. Como as fêmeas são inválidas, apenas os machos teriam
capacidade de voar e transmitiriam o código genético “inseticida” à medida que
cruzassem com as fêmeas. As crias resultantes desses cruzamentos teriam fêmeas
defeituosas e os insetos do sexo masculino normais, para transmitir a herança
genética adiante. Com a população de fêmeas reduzida, a reprodução do inseto
fica prejudicada.
Segundo Marinotti, a técnica pode ser capaz de exterminar a população de Aedes
aegypti em uma localidade. “Mas mosquitos existem em todos os lugares. E
mosquitos vindos de outros lugares vão repovoar aquela região”, acrescenta. Por
isso, seria necessário fazer novas solturas do animal modificado para prevenir
o aparecimento da doença.
O custo da técnica, segundo o pesquisador, não é muito elevado. “Eu acho que o
custo maior talvez seja com a distribuição e logística”, ponderou.
Os mosquitos transgênicos estão atualmente passando por testes em “grandes
gaiolas” no México. De acordo com o pesquisador, o uso do mosquito vai depender
dos resultados desses testes, realizados em um sistema de contenção, sem soltar
os animais na natureza. “Esses resultados vão ser usados pelos órgãos
reguladores de meio ambiente e de saúde pública. E vão avaliar se vale a pena e
se é seguro fazer um teste em campo, em condições de soltar mosquito na
natureza”, explicou.
Os insetos transgênicos estarão prontos para serem testados em campo em um
prazo de um a dois anos, segundo Marinotti. (ZH/Agência Brasil)